Tosco e engajado, o pensamento elitista para a educação brasileira, opinião

Nossa elite é tosca, para falar o mínimo. No campo educacional ela está há anos empenhada em barbarizar a gestão pública e as escolas, muito empenhada. A longa matéria de Maria Clara Prado no Valor é daquelas que merece ser lida e guardada. Não pelo argumento em si, já batido, a despeito das evidentes contradições do texto, mas porque nos permite acessar diretamente o pensamento elitista que hoje conduz o reformismo educacional conservador. Não poderiam faltar o racismo (nosso povo é inútil para o trabalho qualificado, assim como eram os escravos libertos) e o utilitarismo tacanho. Na seção Cultura & Estilo (sic!) os personagens confessam, com a desenvoltura de quem sabe estar entre iguais:
1 – “Os indicadores nacionais são péssimos, de cada dez crianças que entram na 1ª série do fundamental apenas cinco chegam ao terceiro ano do ensino médio. Temos uma perda de 50% da principal matéria-prima de que um país precisa para se desenvolver, como se só metade da matéria-prima de Carajás chegasse ao porto de embarque. Como uma empresa pode sobreviver com um nível tão grande de perda?”, compara Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna (IAS), que há 20 anos atua na área.
2 – Só o setor de telemarketing emprega no Brasil cerca de 1,5 milhão de pessoas, todas com o 3º ano do ensino médio completo. Estão aptas a atender chamadas telefônicas e até a resolver pequenos problemas previstos no manual, mas dificilmente estariam preparadas para lidar com tarefas mais sofisticadas que exigem conhecimento específico, criatividade, trabalho em equipe e velocidade de raciocínio, entre outras habilidades.
“A matemática é cada vez mais importante para entender racionalmente como a tecnologia pode ser aplicada, mas, considerando o gap que temos do ponto de vista educacional, pode-se dizer que um terço da população economicamente ativa no Brasil é inútil para o mercado de trabalho, seja porque não tem alfabetização mínima ou porque não foi preparada para os trabalhos que a vida moderna de hoje exige”, observa o presidente do conselho da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Hélio Magalhães, também presidente do Citibank Brasil até fins de dezembro, quando se aposentará da função.
3 – É difícil imaginar, por exemplo, de onde sairia o dinheiro para a sustentação de um programa regular de aumento do tempo de ensino em todas as escolas estaduais de São Paulo (lembrando que essa turma de cima não costuma pagar muito imposto, quando comparada aos trabalhadores, faz filantropia empresaria com migalhas do que sonega legal e ilegalmente ao Estado … realmente difícil imaginar de onde sairia o dinheiro), onde os salários dos professores não são reajustados há quatro anos, com a carga horária atual. Jair Ribeiro [
sócio do banco Indusval, criou em 2004 a ONG Parceiros da Educação] acha que daria para contornar os gastos com o aumento de número de alunos por escola e por sala de aula, imaginando que a média atual no Estado de 28 alunos por sala pudesse passar para 40 a 45 alunos, uma proposta que, com certeza, ajudaria a reforçar o rol de queixas do sindicato dos professores.

 

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